quarta-feira, 9 de abril de 2008






Em 23 de abril comemora-se o Dia do Livro. Então que tal uma visita às bibliotecas?

A Biblioteca Menotti Del Picchia, que fica no bairro do Limão, possui o menor acervo da Zona Norte com cerca de 30 mil exemplares de variados tipos e assuntos. Além disso, tem como ponto forte o grande número de livros infantis. “Doações também são muito constantes e nos ajudam a aumentar o nosso acervo” diz a bibliotecária Darci Aparecida Maeda Moreira da Silva.
A Biblioteca Brito Broca, que está situada em Pirituba possui o maior acervo da América Latina com cerca de 80.387 exemplares que são divididos em dois departamentos. No de Biblioteca Pública (mais voltado para Adultos) ficam 43.122 livros além de 12 títulos de revistas, quatro jornais e outros materiais como cd-rom, fitas K-7. Já na parte de Biblioteca Infanto-Juvenil há 37.265 livros e mais alguns cd’s e fitas para pesquisa.

Atividades culturais para atrair a população.
Na Menotti Del Picchia há dois projetos que serão feitos por parcerias voluntárias. Um é um curso de máscara de gesso ministrado por uma professora cujas peças serão usadas para encenação de uma fábula e o outro é uma sessão permanente de Contação de História, feito por uma aluna do Ensino Médio: “Ela veio me perguntar se poderia contar histórias para as crianças”, diz Darci “Eu falei que era claro que sim”.
Na Brito Broca havia uma contadora de histórias permanente, que se aposentou: “Ela era maravilhosa, se envolvia tanto na história que às vezes tínhamos que dizer para ela se controlar um pouco”, diz Aurélia Marta Soares da Silva, bibliotecária. Atualmente há o curso de Teatro Vocacional, o Grupo de Teatro e Exposições Temáticas e de Artistas Plásticos da região.


Conquistando pequenos leitores
Uma preocupação muito grande das bibliotecas visitadas é atrair para si o público infantil: “A criança é o carro-chefe da biblioteca”, diz Aurélia “A partir da convivência com os livros se forma um leitor crítico”. Já Darci lamenta que o hábito da leitura não seja muito incentivado pelos pais: “Aos sábados, que são os dias mais voltados para a família, apenas duas ou três vêm trazer seus filhos”.
E acervo é o que não falta: na Menotti Del Picchia há uma sala dedicada especialmente para a leitura das crianças e há os chamados livros-brinquedo, que fazem com que a criança interaja com eles. As opções são diversas: vão desde livros com textura, em alto relevo, feitos como histórias em quadrinhos e até livros de pano.
A Brito Broca também possui uma sala voltada para as crianças: “Alguns livros estão fora do lugar porque as crianças os lêem e não arrumam. Isso é ótimo, pois mostra que elas estão utilizando. Livro parado na prateleira não tem graça. É bom quando usado” diz Aurélia.

Pouca freqüência da população.
Apesar de contarem com bons atrativos, as bibliotecas sofrem com a falta de interesse da população: “A freqüência da biblioteca realmente é baixa”, diz Darci “Freqüentar a biblioteca é fundamental para a formação do indivíduo”, diz Diego Frederico da Silva, estudante de Filosofia, usuário da Menotti Del Picchia. Aurélia concorda: “A biblioteca cedia a cultura. As pessoas precisam compreender que o saber é universal e que precisam se apropriar dele”.

Bibliotecas Temáticas
As bibliotecas temáticas existem desde 2006 e são totalmente voltadas para um determinado assunto. A Biblioteca Alceu Amoroso Lima é só para a poesia, enquanto a Hans Christian Andersen é somente para contos de fadas. Há ainda a Belmonte (Cultura Popular), a Cassiano Ricardo (Música), a Roberto Santos (Cinema), a Mário Schenberg (Ciências), a Raul Bopp (Meio Ambiente) e a Prefeito Prestes Maia (Arquitetura e Urbanismo). Se você quiser ter mais informações, envie um e-mail para o endereço das bibliotecas na Internet:
bibliotematica@gmail.com

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Nova voz do Maranhão.




A cantora que tem encantado aos ouvidos e conquistado seu espaço na musica brasileira.

Aconteceu na ultima semana, no SESC Santana, o show da cantora maranhense Flávia Bittencourt, neta de um dos principais nomes da cultura regional maranhense, o Folclorista e compositor Fulgêncio Pinto, já conquistou o seu lugar como cantora em São Luiz, e no Ultimo dia 26 veio a S.Paulo para participar do Projeto Afinidades, onde grandes nomes da MPB dividem o Palco com a nova Safra de Cantores que despontam no Cenário Musical brasileiro. As canções de seu repertorio são uma mescla de estilos musicais que vão do canto lírico ao Samba. Depois da passagem de som Flavia Recebeu o SF para uma Conversa.

SF: Você é neta do escritor e folclorista Fulgêncio Pinto, o quanto foi importante a influencia dele pra você iniciar a sua carreira?
Flávia: Não conheci meu avô, tudo o que conheço sobre ele foi dito pela minha família, minha Tia e meu Pai, mas a imagem dele é forte em São Luiz, logo foi impossível não ser influenciada, inclusive umas das Musicas do meu repertorio, a musica Pamonha, é de autoria dele, e foi “resgatada” por minha tia e meu Pai.

SF: Você iniciou suas aulas de canto lírico ao mesmo tempo em que começou a se interessar pelos ritmos regionais maranhenses. Como foi a junção dessas, como conciliar essas vertentes tão diferentes?
Flávia: Aonde estudei não tinha um curso especifico de musica popular, logo tive que procurar outra maneira de saber mais sobre os ritmos maranhenses, e por isso tive de aprender a tocar os dois paralelamente. A música erudita serviu de base para minha voz e tais ritmos construíram “meu cantar” de hoje.

SF: Um Ano depois você foi convidada a abrir o Show de Adriana Calcanhoto, em seguida você decidiu trancar a faculdade de Farmácia e vir pra S.Paulo estudar Musica. Foi difícil pra você tomar essa Decisão?
Flávia: Foi dificílimo, meu pai foi totalmente contra, a filha mais velha largando uma faculdade pra estuda Musica, mas também foi impossível não vir, o que aprendi ajudou muito no “meu cantar”, hoje meu Pai é a pessoa que mais me apóia com os sacrifícios para com a minha carreira.

SF: O cenário cultural de S.Paulo é muito diferente do cenário maranhense. Como foi pra você sair de uma vivencia carregada por manifestações folclóricas e vir parar em S.Paulo, Choque cultural Foi muito Grande?
Flávia: O choque foi tremendo, em São Luiz se escuta musica em todo lugar, a cada esquina um som diferente, aqui foi tudo mais técnico, demorei muito pra me adaptar, mas eu já fazia alguma idéia, vim aqui pra estudar e foi, o que fiz.

SF: Existe muita diferença em cantar aqui em S.Paulo e cantar no Maranhão?
Flávia: Acho que a principal está na curiosidade e na Facilidade, em S.Paulo rola uma curiosidade muito grande em relação a musica, o publico é sempre “multicultural” e eclético, já em São Luiz a existe uma facilidade em se apresentar maior, o publico já conhecem as musicas, já estão acostumados com o ritmo, mas ainda sim o publico de paulista é tão receptivo quanto o maranhense.


SF: Você é uma cantora que visa à valorização da Cultura, E no cenário musical de hoje ocorre justamente o contrario, o que você acha disso, dessa desvalorização cultural que a musica tem sofrido nos últimos tempos?
Flávia: Hoje em dia existem varias razões e questões por trás disso como a mídia, aceitação, o retorno, a própria indústria fonográfica, e infelizmente essa desvalorização é o que dá dinheiro e tentar seguir um caminho “clássico”, sem o apoio de um grande selo é muito difícil e o reconhecimento é sempre em longo prazo, e os grandes selos se importam somente em ter um retorno maior e mais rápido.

SF: A sua Musica mescla o “clássico” e o contemporâneo, e sua carreira é marcada por encontros com grandes nomes da MPB, o quão importante pra você foi poder cantar com tais nomes, e que falta isso faz no atual cenário musical em que vivemos?
Flávia: Pra mim foi importantíssimo, ter a honra de cantar ao lado de nomes como Alcione, Zeca Baleiro, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e ser reconhecida por eles, receber o apoio deles foi algo extremamente recompensador, e isso é essencial pra qualquer iniciante receber um elogio de um ídolo seu dá força pra qualquer um continuas a correr atrás.


SF: O que você acha desse projeto, “Afinidades”, que o SESC tem promovido, juntando em um mesmo palco Grandes Nomes da MPB e os Novos Talentos que estão despontando no cenário musical?
Flávia: É fantástico esse projeto, muitas vezes o publico vem até tais shows pelos “grandes”, e acabam tendo surpresa em conhecer os “novos nomes”. Sem duvida nenhuma esse “grande nome” serve de porta, de referencia para um maior reconhecimento dos “novos nomes”.

SF: O governo do Maranhão incentiva a valorização cultural com Grande Força, o que mais se diferencia do incentivo que temos aqui em S.Paulo?
Flávia: Em São Luiz e mais fácil de “ver” cultura, em todo lugar é possível ter contato, as em São Paulo o próprio SESC é um diferencial, nas cidades que fui é sempre difícil ver tais projetos. Hoje é possível ver ótimos shows, exposições, amostras por um preço muito baixo ou por nada.

SF: Em âmbito nacional como você avalia o que te sido feito para o incentivo da cultura?
Flávia: O Ministério da cultura tem feito um ótimo trabalho, mas esses projetos ainda são pouco divulgados. Acho que isso poderia ser resolvido com um apoio maior por parte de grandes empresas, todos querem patrocinar Luiz Melodia, Adriana Calcanhoto esquecendo um pouco dessa “nova safra”, dos projetos voltados pra arte, musica pintura, dança e tantas outras formas de expressão e arte.